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sábado, 19 de janeiro de 2019

Peça "Às Crianças"

Depois de acabar o Conservatório, entrei na companhia de Teatro ABC.PI, sediada em Almada e dirigida pela actriz Laurinda Chiungue.
No âmbito da 22.ª Mostra de Teatro de Almada, um festival de teatro no qual são apresentados peças de companhias profissionais e amadoras de Almada em diferentes equipamentos culturais, apresentámos a peça Às Crianças, baseada no livro Contos Negros para Filhos de Brancos,de Blaise Cendrars, no Fórum Municipal Romeu Correia. Partilhei o palco com um bailarino-actor, e a peça foi encenada pela própria Laurinda Chiungue.
Nunca tinha feito Teatro Infantil, e foi uma experiência muito gratificante. As crianças são um público muitíssimo exigente, são muito verdadeiras nas suas reacções, e quando estão realmente contigo, quando os actores as conseguem agarrar, elas vibram e manifestam o seu entusiasmo de uma maneira pura, autêntica.. Nos momentos mais agitados e divertidos, parecia que as crianças estavam numa montanha-russa, de tão felizes que estavam, e nós sentia-mos como que num Musical da Broadway, pois elas aplaudiam-nos e mostravam o seu entusiasmo através de risos estridentes e gritinhos de excitação.
No âmbito deste espectáculo, tivémos oportunidade de ir ao programa Bem-Vindos da RTP África, apresentado por Sílvio Nascimento, no qual demos uma entrevista sobre a nossa participação na 22.ª Mostra de Teatro de Almada, e fizemos um excerto da peça, que podem visualizar através deste link - https://www.youtube.com/watch?v=WdY9kmX_8fc.
A meu ver, o espectáculo ficou lindíssimo, e é muito pertinente, pois aborda temáticas importantíssimas, como a inclusão social e a aceitação da diferença, pela sua sensibilidade artística e pela humanidade que o envolvem.















segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Espectáculo Gatilho da Felicidade no Teatro Maria Matos

Fiz parte da performance Gatilho da Felicidade, uma criação de Ana Borralho e de João Galante, co-fundadores da associação cultural casaBranca. 
Podem ficar a conhecer melhor o trabalho destes dois criadores acedendo ao seu site oficial: http://anaborralhojoaogalante.weebly.com/
Estivémos em residência artística de 30 de Novembro a 20 de Dezembro, e de 5 a 17 de Janeiro, no Espaço Alkantara, em Santos.
O espectáculo esteve em cena nos dias 16, 17, 18 e 19 de Março de 2017. 
A premissa da criação deste foi a seguinte:

«Qual é o momento mais feliz da tua vida?
O que é o nada?
Qual foi a última app que te fez feliz?
Os insetos vão tomar conta da Terra depois de nós?
Por que é que eu tenho sempre razão?
E se a Terra parasse de girar?
Preferes uma Xbox ou uma Playstation?
Ainda é possível viver hoje numa caverna sem electricidade?
Por que é que há pessoas más?
Por que é que me estão sempre a interromper?
Preferes morrer afogado ou queimado?
Preferias uma semana sem internet, 4G, smartphone e computador ou um ano sem sexo e masturbação?
Por que é que ninguém me escreveu um e-mail hoje?
Será possível gostar demais de alguém?
Preferes um apocalipse zombie ou uma invasão extreterrestre?
Por que é que não me deixam em paz?
Será que vês o que eu vejo?
Não seria a Terra um lugar mais feliz sem nós?
Porque é que me acordaste para perguntar se estava a dormir?
Não tinhas em mente qualquer coisa mais radical?
Consegues ver as vaquinhas lá ao longe?
Não é uma tristeza nossa, que na tentativa de sermos realmente nós, não consigamos deixar felizes todos aqueles que não somos?
O que é que vocês sabem sobre mim?
Por que é que estamos aqui?»


Este espectáculo teve várias fases de criação, durante o seu processo, na qual experimentámos várias possibilidades criativas, até chegarmos ao seu resultado final.
Nele, foi-nos proposto "matarmo-nos", ao pressionarmos contra nós mesmos o gatilho de uma pistola, que poderia ou não disparar, na qual se encontrava um balão, na sua ponta. Se a pistola disparasse, o balão rebentava, e um pó colorido caía sobre as nossas caras. O "castigo" de a pistola ter disparado era respondermos a uma pergunta que se encontrava dentro do balão, com sinceridade. O intérprete teria de elaborar um discurso lógico e verdadeiro (no fundo, tinha de contar a sua história...), de modo a este ser percebido pela audiência. Este método de trabalho foi muito interessante, pois nunca me tinha relacionado com o meu 'eu', com a minha identidade, com as minhas vivências, de uma maneira tão autêntica numa criação artística, e isto enfatizou ainda mais a minha crença de que eu sou o meu próprio objecto artístico.
De modo a ficarem a conhecer melhor este projecto, podem aceder ao seguinte link - https://www.rtp.pt/noticias/cultura/gatilho-da-felicidade-de-ana-borralho-e-joao-galante-estreia-se-hoje-em-lisboa_n989155 -, no qual terão acesso a um artigo sobre o mesmo.
Através deste link, poderão aceder à folha de sala do espectáculo: http://www.teatromariamatos.pt/pt/prog/criancas-e-jovens/2016-2017/gatilhodafelicidade.
Gostei muito desta experiência, que irei guardar para sempre na minha memória. 
















Exercício Baal, de Bertolt Brecht

No 1.º Semestre do 2.º ano do Curso de Teatro - Ramo Actores da Escola Superior de Teatro e Cinema, trabalhei a peça Baal, de Bertolt Brecht, com o professor e director da escola, Álvaro Correia.
Interpretei as personagens Dona de Casa e Mendigo. 








segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ethno Portugal 2016

Estive numa residência artística em Castelo de Vide para cinquenta e dois músicos e dançarinos de vinte países e quatro continentes diferentes. O objectivo era criar-se um espectáculo com a escolha de catorze músicas das várias que os músicos apresentaram (cada músico tinha de apresentar uma música tradicional do seu país), ensiná-las a todos os músicos e criar-se várias danças para cada uma dessas músicas (tudo isto em apenas dez dias!). O espectáculo foi apresentado em quatro sítios diferentes: em Castelo de Vide, em Alpalhão, em Ponte de Sor e num festival lindo que me viu crescer chamado Andanças, onde já vou há seis anos.
Cada vez mais o meu caminho se tem cruzado com a dança, o que acho óptimo pois é algo que complementa imenso o teatro. Em todos os trabalhos de corpo que desenvolvo em personagens, sinto sempre que, graças a este meu contacto com a dança, tenho mais facilidade e aptidão para conseguir chegar onde quero. 
Deixo-vos este link que vos permite visualizar um vídeo com filmagens do nosso primeiro concerto no festival Andanças: https://www.facebook.com/andancas/videos/1093939017321076/, e mais estes dois links, que vos permite ficarem a conhecer o trabalho desenvolvido pelo Ethno Portugal: https://www.facebook.com/groups/149297008810176/ e =ts&fref=ts e http://ethnoportugal.pedexumbo.com/pt/.
Também vos deixo aqui um link que vos permite aceder a uma das músicas mais bonitas do projecto Ethno Portugal'16 dançada pelo grupo de dançarinos, registada pelo Tiago Pereira no âmbito do seu interessantíssimo projecto chamado A Música Portuguesa a Gostar dela Própria: https://vimeo.com/177210252.
Acho que, até agora, o Ethno foi a melhor experiência que já tive na minha vida.






















domingo, 21 de agosto de 2016

Espectáculo Fado Meu - Dançar o Fado num Tributo à Amália Rodrigues

Participei num espectáculo de dança da Amálgama - Companhia de Dança intitulado Fado Meu - Dançar o Fado num Tributo à Amália Rodrigues, no Panteão Nacional.
É incrível ter a oportunidade de dançar num espaço tão grandioso e autêntico, ao som das intemporais músicas da nossa Amália...
Foi o primeiro espectáculo de dança em que participei. Foi uma experiência maravilhosa. Gostei imenso do grupo com que trabalhei. Os dançarinos eram todos muito diferentes entre si mas muito unidos, com um profissionalismo e uma humanidade impressionantes.
No seguinte link, podem ver uma compilação dos momentos mais fortes do espectáculo - https://vimeo.com/189759651. 
Para ficarem a conhecer melhor o trabalho da Companhia, deixo-vos aqui este vídeo:




















Festival Internacional de Teatro de Almada 2016 e Workshop com o Ionut Caras

Este ano fui pela primeira vez ao Festival Internacional de Teatro de Almada. Foi uma experiência incrível que decerto voltarei a repetir, ano após ano. O Festival fornece-nos uma experiência cultural muito enriquecedora, com um intercâmbio cultural impressionante... poder ter contacto com encenadores e actores de todo o Mundo é algo fascinante para alguém que quer fazer do Teatro vida. 

Tive a oportunidade de participar num workshop intitulado «Conhece-te a ti mesmo. Esquece o Ego.» com o actor romeno Ionut Caras (vide http://www.teatrulnationalcluj.ro/act-66/ionut-caras/). Gostei imenso de trabalhar com o professor, e o grupo era incrível! Para mim foi muito importante fazer este workshop pois consegui relacionar a matéria dada durante o primeiro ano da Escola Superior de Teatro e Cinema com os novos conhecimentos transmitidos pelo Ionut. É muito interessante perceber que as técnicas teatrais que já aprendi, tanto na Escola Profissional de Cascais como na Superior, são universais, e que o Mundo é mais pequeno do que nós imaginamos. Grande parte dos exercícios realizados no workshop já os tinha feito a nível académico, sendo que estes eram mesmo iguais ou semelhantes.














Vídeo realizado com base em aulas do workshop:








quarta-feira, 4 de maio de 2016

Duniacha e Vária

Na Escola Superior de Teatro e Cinema, encontro-me a trabalhar a peça o Cerejal, de Anton Tchékov, com a professora Maria Duarte.
Este exercício foca-se maioritariamente num trabalho onde as palavras contêm todas as ideias, não sendo por isso necessário recorrer ao uso de intenções para as transmitir ao público, nem a uma exagerada gestualidade. A maneira de abordar o texto é extremamente simplista, sincera (sendo lá o que seja verdade em teatro...), lógica e sintetizada. Identifico-me com a simplificação que este trabalho exige. Sinto que estou a aprender novas maneiras de abordar a escrita teatral, de dizer um texto.





terça-feira, 3 de maio de 2016

Exercício Final de Oficina Comum

Como exercício final do primeiro semestre trabalhámos o manuseamento de um determinado objecto no espaço. Como usá-lo tendo em conta o tempo e o espaço, o restante grupo de pessoas que o partilham comigo e os seus respectivos objectos?
Fizémos um exercício de observação da cidade baseado nas instruções de George Perec, Trabalho práctico #3, explorado no seu livro Espécies de espaços. A partir desse registo foi-nos proposto escolher um objecto que associássemos à cidade. Tive a sorte de encontrar no armazém da Escola Superior de Teatro e Cinema uma bicicleta que, por ter um triângulo que a sustentava parada, era impossível andar-se nela. Ela chamou-me logo a atenção por isso mesmo, por não possuir a capacidade de circular que todas as bicicletas têm inerentes em si. Depois teríamos de construir uma partitura com doze acções distintas, com o objectivo de descobrirmos as diferentes possibilidades encerradas no nosso objecto.
Este foi um exercício em que sinto que aprendi muito. Foi bom voltar ao básico (que não é nada básico), afinar algumas noções que já tinha adquirido na Escola Profissional de Teatro de Cascais e aprender outras novas maneiras de encarar/lidar a/com a criação artística. 











1.º exercício em Oficina Comum

E o desejo realizou-se: aqui estou eu, na Escola Superior de Teatro e Cinema. Sinto-me muito grata por ter entrado.Estou muito feliz. 
Deixo-vos aqui fotos do primeiro exercício de exploração feito em Oficina Comum, um semestre que os actores têm em conjunto com outros alunos de design de cena e produção, dirigido pelo professor Francisco Salgado. Acho que este intercâmbio entre as diferentes áreas é extremamente importante, de modo a que estas se diluam, pois uma não sobrevive sem a outra. A troca de aprendizagens entre os alunos dos diferentes cursos é crucial. É incrível podermos dar um bocadinho do nosso Mundo a alguém, e essa pessoa oferecer-nos o que tem de melhor para dar da área que estuda. 



 





Dançarina e Vizinha

De modo a participarmos em todas as apresentações e ao mesmo tempo todos termos uma boa personagem principal que pudéssemos trabalhar foram formados quatro elencos. Por isso, também fui uma das dançarinas que enfeitiçavam o Peer Gynt e uma das vizinhas coscuvilheiras da aldeia dele.









Camponesa em Peer Gynt

Para além da Ingrid, a minha personagem principal na Prova de Aptidão Profissional, tive o prazer de trabalhar outras personagens secundárias, como foi o casa das Camponesas.
Deu-me um gozo enorme dar corpo a estas atrevidas e sensuais mulheres.
Sinto-me muito orgulhosa do trabalho de grupo que eu e as minhas duas colegas (igualmente Camponesas) desenvolvemos. Fomos sempre capazes de nos escutarmos, propondo e recebendo ideias, e de estarmos em palco como se fossemos um só.
Conseguimos verdadeiramente criar uma personagem colectiva constituída pelas três insanas camponesas, e isso é realmente o mais importante.






Ingrid em Peer Gynt

A última etapa desta viagem tão incrível.
Depois de três anos intensos de estudo, aqui estou eu na minha Prova de Aptidão Profissional no Teatro Experimental de Cascais, agora já não como figurante, como acontecera nos dois anos anteriores, mas como actriz profissional (apesar de me ser difícil escrever isto aqui, por ainda não me sentir nem actriz nem profissional da área).
Foi um prazer pisar o palco com os meus colegas de ano (a minha turma e a outra, sendo que eram constituídas duas por cada ano lectivo), com os actores profissionais (esses sim) do TEC, e com a (que adjectivo usar) actriz convidada Maria Vieira. 
Nunca irei esquecer esta experiência.












segunda-feira, 2 de maio de 2016

Einar Wegener

Não podia pedir nada melhor, eu que adoro sentir-me livre em termos criativos e que faço de tudo para que isso aconteça. 
Foi-nos proposto pela professora Beatriz Batarda (foi a quarta vez que trabalhámos com ela no curso, repito que o meu ano teve tanta sorte!) que escolhêssemos uma figura marcante de qualquer época (querem mais liberdade criativa que isto?) O segundo passo seria escolher um determinado momento da vida dessa pessoa, e, a partir daí, criar uma cena e escrever um monólogo para ser interpretado por nós.
Sabia que queria aproveitar esta oportunidade para dizer algo ao Mundo (este tipo de pensamentos oriundos dos meus ingénuos dezoito anos...), abordando um tema tabu. Primeiramente, pensei em trabalhar a pedofilia, tratando-a como um impulso sexual que deveria ser reprimido (de um ponto de vista "compreensivo", dentro da irracionalidade que esta temática contém, portanto) ao retratar o pedófilo como alguém que tem obrigatoriamente de reprimir o que sente (pensemos na cena da Ninfomaníaca: Volume 2, de Lars Von Trier). Contudo, rapidamente me apercebi de que este tema era demasiado tabu através de várias conversas que tive com professores do curso e que nunca o poderia abordar de uma maneira consciente pois ainda não haviam sido feito estudos suficientemente esclarecedores para o conseguir fazer. 
Excluída a temática da pedofilia pensei em abordar a homossexualidade por também ser um tema tabu, porém, na Escola Profissional de Teatro de Cascais e na arte/no meio artístico em geral, esta é aceite e (felizmente!) é cada vez mais normalizada.
Ainda não tinha encontrado uma resposta para o meu problema. Depois de várias pesquisas em livros e na internet, e frustrada por saber o que queria fazer mas por não encontrar um tema que suportasse o meu desejo, resolvi ir dormir (talvez o sono me trouxesse a solução que eu tanto procurava...). Quando estava quase a adormecer, lembrei-me de um tema que parecia conter tudo o que eu queria colocar em palco: a transexualidade. Escrevi esta palavra no meu telemóvel e enviei a mensagem para mim própria de modo a não me esquecer da ideia que me surgira.
No dia seguinte acordei, e ao olhar para o telemóvel encontrara o meu próximo desafio artístico: interpretar um transexual.
Através de um livro que a minha tia (com quem vivia na altura) lera, encontrei o Einar Wegener, o primeiro transexual da História a submeter-se a uma cirurgia genital. Acabara por morrer durante a tentativa de implantação de um útero, com o objectivo de concretizar o seu grande sonho de ser mãe. Tinha encontrado a "personagem" que queria trabalhar neste módulo.

Meu querido Einar, nunca te esquecerei. Nem a ti nem a este maravilhoso exercício de despedida do terceiro ano de um curso que estava prestes a acabar.


Puta em Roberto Zucco

Quando soube que íamos trabalhar a peça Roberto Zucco, de Bernard-Marie Koltès, fiquei muito feliz. Li esta peça no segundo ano do curso e fiquei completamente apaixonada. 
Acho que este foi dos exercícios que mais gostei de fazer do curso de interpretação na Escola Profissional de Teatro de Cascais.



















Poetas em Portalegre

E lá fomos nós com o nosso professor poeta Carlos Carranca homenagear José Régio na sua Casa Museu em Portalegre.
E que melhor maneira de o fazer senão declamar o seu mais emblemático poema, Cântico Negro?





Clara em As Criadas

Uma vez Pirandello escreveu sobre o facto de não conseguir escrever. Estou com o mesmo problema. Não consigo encontrar palavras que materializem a dimensão emocional/cinestésica implícita neste exercício. Como é que estas hão-de comportar sentimentos tão profundos?
Deixo-vos apenas as imagens e as gravações do exercício.
Obrigada, Carlos Avilez.
A Jean Genet.






















Tirésias

Começámos o terceiro ano do curso "às cegas", não fazendo ideia do que nos esperava.
Tal foi a nossa alegria quando soubemos que a peça Antígona, de Sófocles, encontrava-se pronta para ser trabalhada por nós, com o auxílio da professora Beatriz Batarda. 
Tal foi também a minha alegria quando soube que o Tirésias me pediu para eu lhe dar uma visão de si mesmo.
Tivémos muita sorte. Já era a terceira vez que estávamos a trabalhar com a professora Beatriz, e para além do mais em registos completamente diferentes entre si, algo que só nos iria enriquecer enquanto futuros (esperemos) intérpretes.


Figuração em As Divinas Palavras

Resisti ao calor e fui passar o meu Verão do segundo ano do curso a Espanha, mas a uma Espanha um pouco diferente, especial, situada mais precisamente no Teatro Experimental de Cascais.
Não resisti a fazer outra vez figuração na Prova de Aptidão Profissional dos meus colegas finalistas. Quando tenho oportunidade de pisar um palco, não consigo deixar de pensar que pode ser a última vez que o faça. Vivo atormentada com esta ideia. Não consigo desperdiçar nenhuma oportunidade que a vida me dá, por isso decidi também colaborar nesta PAP. Era-me impossível não fazer parte de uma peça do Valle-Inclán sabendo que o podia fazer, e de não receber, mais uma vez, a sabedoria que o mestre Carlos Avilez tem para nos transmitir.
E pensar que ele próprio e o professor João Vasco também já fizeram figuração nesta mesma peça quando esta esteve no Teatro Nacional D. Maria II...
É inspirador!





Mirandolina em A Estalajadeira

Não me despedi do segundo ano sem ter a oportunidade de trabalhar uma peça de Goldoni, A Estalajadeira, na qual interpretei a Mirandolina
Este exercício foi direccionado pela professora Maria Camões.


Willie em Azul Longe nas Colinas

Mais um rapaz para a minha lista! Calcei os ténis (e não os sapatos, como se costuma dizer em teatro) do Willie e voltei outra vez a ser criança.
Este exercício, no qual interpretámos a peça Azul Longe nas Colinas, de Dennis Potter, foi direccionado pela Beatriz Batarda.
Quando me lembro do quão incrível foi este processo, sinto-me exactamente como a voz que enuncia o poema que finaliza esta peça:

«No meu peito um ar que consome
Sopra de longe chão,
E essas colinas, qual seu nome,
Que torres, que quintas são?
Essa é a terra do azul, perdi-a,
Eu vejo-a cintilar.
Caminhos da minha alegria aos quais não sei voltar.»